Neste artigo, Nelson Barboza Leite conta um pouco da história de Luiz Calvo Ramires, que iniciou suas atividades nos anos 70 e se mantém no setor até hoje de forma bem sucedida

 

A vida profissional tem marcas que o tempo jamais apaga! No início da década de 70, quando o incentivo fiscal para reflorestamento começou a despertar grande interesse em investidores, tivemos a oportunidade de receber na sede do IPEF, em Piracicaba, um investidor recém embarcado na atividade.

Um grupo de engenheiros chegando do almoço, de repente, é abordado por uma voz meio rouca e com sotaque “da terra”: “Por favor, aqui é o IPEF?” e já se foi apresentando e mandou o pedido – “sou de Sorocaba e vim procurar informações para investir em eucalipto”. Até aí, nenhuma novidade. Com a febre dos incentivos fiscais era comum visitas diárias para falar de reflorestamento, compras de sementes, contratação de profissionais, etc.

A surpresa veio com a solicitação do visitante: “será que consigo comprar uma apostilinha de umas 10 páginas ensinando tudo que precisa ser feito para se plantar eucalipto? coisa simples, sem muita frescura”. Na hora, a roda se espalhou e eu fiquei com a incumbência de encontrar a apostilinha para o nosso visitante. Na sala, ele deu mais detalhes: “sou de Sorocaba, e lá temos concessionária de caminhões, mas eu acredito muito nesse negócio de eucalipto e gostaria de fazer alguma coisa. Parece que é negócio muito bom”.

Daí, eu tive que explicar: “meu amigo, aqui existe um Curso de Florestas e dura 5 anos. Forma um punhado de engenheiros todo ano e, mesmo assim, sai um bando, que não sabe plantar eucalipto”. O moço, com ar de espanhol teimoso retrucou: “então, para saber plantar precisa ficar 5 anos na escola?” Eu disse: “você não precisa ficar 5 anos, mas se quiser fazer um grande empreendimento com eucalipto, você deve contratar um engenheiro, que tenha lido uma centena de apostilinhas”.

Então, o espanhol mais tranqüilo, falou: “isso é bom sinal. Não é negócio para aventureiro!”. Conversamos mais sobre inúmeras necessidadese cuidados com o eucalipto. Arrumei, na Biblioteca, alguns informativos, tomamos um cafezinho e, na saída, o moço todo agradecido falou: “quando passar por Sorocaba dê uma passada na Ramires para tomarmos um café”. Eram os primeiros passos do empresário Luiz Calvo Ramires no setor florestal. Esse moço formou uma das melhores empresas de reflorestamento do Brasil. Foi um dos pioneiros na transformação do Mato Grosso do Sul no grande polo industrial dos dias atuais e, acima de tudo, sua empresa foi uma das únicas que deu continuidade aos seus negócios de floresta após a extinção dos incentivos fiscais. Há quase 20 anos, lutou bravamente para colocar, em pé, um grande projeto de reflorestamento, na onda do apelo climático. Foi sempre um sonhador, mas, sobretudo, incansável fazedor!

Para nossa satisfação temos tido centenas de encontros em nossa vida profissional, inclusive tive a oportunidade de participar da sua equipe de trabalho. Aprendi muito na sua empresa, com exemplos de dedicação e extraordinária disposição para o trabalho, otimismo e acima de tudo, companheirismo e honestidade. Lembrei-me de tudo isso, há poucos dias, quando visite acompanhado de meu filho Alexandre, a propriedade da Ramires no Mato Grosso do Sul. Contei essa história ao Luiz Ramires Junior, que nos recebeu com muita cortesia e que dá continuidade, com competência, ao empreendimento da Ramires Reflorestamento. Tem tudo para ser bem sucedido!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – empresas de serviços florestais- nbleite@uol.com.br